19 de fevereiro 2025

Mariana Mortágua (*) defende que líderes europeus estão divididos entre “pedidos desesperados” a Trump e “aceitação absurda” das exigências de aumento de gasto em defesa [para continuar a suportar a guerra na Ucrânia].

No debate de urgência agendado pelo Bloco de Esquerda para esta quarta-feira sobre a situação internacional, Mariana Mortágua apontou o dedo as líderes europeus e aos governantes portugueses pela paralisia da União Europeia e afirmou que “a Europa não se salvará se trocar o Estado Social por armas”.

Situando o pedido do debate com a interferência de Elon Musk na política interna do Reino Unido, da Alemanha, da Roménia, da Irlanda e da própria UE, bem como o apoio do vice-presidente dos EUA ao partido de extrema-direita alemã e ainda com as negociações da Ucrânia que excluem o país ocupado.

“Trump e Putin são aliados, partilham os mesmos objetivos”, disse a dirigente do Bloco de Esquerda. “Normalizar regimes autocráticos e totalitários – daí a escolha da Arábia Saudita para palco deste encontro – e promover a proximidade das suas oligarquias, dividir zonas de influenciam desestabilizar as democracias da Europa e dominar os seus governos através do apoio e financiamento dos partidos de extrema-direita”.

Mariana Mortágua questionou ainda a posição de Portugal sobre a proximidade entre presidente russo e o presidente estadunidense. “Se Trump e Putin são aliados, e se Putin é inimigo, Trump é o quê?”, disse, considerando que este “simples problema de lógica” deu “um nó” na cabeça das lideranças europeias, incluindo a portuguesa. “Não sabem o que fazer, estão paralisados de medo e estupefação, como se este momento não estivesse anunciado”.

Falando aos deputados da Assembleia da República, a deputada do Bloco de Esquerda notou que os líderes europeus dividem-se entre “pedidos desesperados” para que Trump não deixe de ser amigo da Europa e a “aceitação absurda” das exigências para o aumento dos gastos em defesa.

“Troquem escola, saúde e solidariedade por bombas e drones assassinos, e os únicos que ficarão a salvo são os partidos da extrema-direita que se alimentam da degradação do Estado Social”, declarou. “A Europa não se salvará se trocar o Estado Social por armas. O conjunto dos países da União Europeia têm mais militares no ativo do que os EUA ou a Rússia, e a soma dos seus orçamentos de Defesa é superior ao da Rússia e fica próximo da China”.

Concluindo a intervenção, Mariana Mortágua afirmou que “fazer a guerra em nome da democracia enquanto se deixa a democracia morrer é um erro que as gerações futuras não perdoarão aos decisores do presente” e que “resta saber como Portugal quer ser recordado nesse futuro”.


(*) Mariana Mortágua é principal dirigente do partido “Bloco de Esquerda” em Portugal

Artigo original pode ser lido aqui